Fim de dia em "Little India"



Em Singapura, íamos ao hotel apenas dormir, pois passávamos o tempo todo a passear. Até porque o quarto do hotel não tinha janela, como vos contei noutra história.

Num domingo, no regresso ao hotel, saímos do metro e parámos. Foi uma reação instintiva. Para todo o lado onde olhávamos estavam milhares de indianos. mas milhares. Não existia espaço entre as pessoas. O ficarmos parados em nada teve a ver com medo, mas sim com o não estarmos à espera daquilo. Acho até que nunca estive num ambiente igual. Todos os habitantes daquele bairro e mais além estavam na rua, naquele fim de dia. Não sei o motivo, nem tão pouco se será sempre assim num domingo. Mas naquele foi. Ao pararmos, ficamos a observar. É instintivo, porque é um comportamento de reconhecimento. Estávamos literalmente a fazer reconhecimento. Observávamos comportamentos, para percebermos qual o comportamento que tínhamos que adotar. Era confuso. Estão a ver aqueles quadros cheios de informação, em que temos que dar muita atenção, pois está cheio de detalhes? Era igual. Parecia um quadro vivo. Muita gente, muito barulho, muita música, muita cor. Depois, vimos imensas mesas corridas, de madeira, cheias de gente a comer e a conviver. Vimos imenso arroz. Imenso. As pessoas comiam com as mãos e havia comida caída por todo o lado, mesas, cadeiras, chão. Havia um intenso cheiro no ar. A caril. Engraçado que ficou na memória. E já estivemos em sítios onde o cheiro de especiarias era bastante forte. Mas ali era diferente. O todo era confuso e intenso. O cheiro forte passou a ser um pormenor.

Mas não passava de um normal domingo de convívio, com todo o bairro e mais além na rua. Tão diferente da nossa realidade. E nós? Demos a mão um ao outro e lá fomos, por entre os locais, passando a fazer parte daquela pintura humana, até chegarmos ao nosso hotel.


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