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Escapadela Mágica de 5 dias a Wrexham e Manchester

  • Foto do escritor: Pedro Crespo
    Pedro Crespo
  • 14 de jan.
  • 8 min de leitura


WREXHAM NÃO ESTAVA NOS PLANOS... ATÉ ESTAR!


Há viagens que começam muito antes do avião descolar e esta foi uma delas.

Começou com uma troca de olhares no sofá, ao final do dia, após mais um episódio da série da Disney+ Welcome to Wrexham, sem grande intenção, mas suficiente para percebermos que havia uma enorme vontade de irmos. São viagens que crescem devagar, que vão insistindo até deixarem de ser um projeto e passarem a ser uma necessidade.


Viajar, para nós, nunca foi apenas sobre mudar de lugar; foi sempre sobre ouvir a nossa intuição e, muitas vezes, ir simplesmente… sem pensar muito. Viajar é sobre confiar naquele impulso que não se explica bem. É sobre aceitar que, às vezes, um destino nos chama — mesmo quando não sabemos bem porquê.


Desta vez foram cinco dias. Dois destinos. E um deles provocou a pergunta que ouvimos vezes sem conta, inclusivé pelos próprios habitantes: “mas… porquê Wrexham?”, e nós nunca tivemos uma resposta curta. E isso diz muito.



O chamamento de Wrexham


Wrexham entrou nas nossas vidas de forma discreta, quase por acaso, através da série da Disney+ Welcome to Wrexham. Começou por ser uma série sobre futebol, até deixar de o ser. Ou, pelo menos, não era  sobre futebol. Era sobre pessoas, sobre uma comunidade, sobre pertença e sobre identidade.

Para quem (ainda) não viu a série, é sobre a compra de um clube de futebol galês, da 5ª divisão inglesa, por parte de dois atores, Ryan Reynolds (canadiano) e Rob McElhenney (americano). Todo o processo foi acompanhado e convertido, e continua a ser, num documentário, em exibição na Disney+, com 4 temporadas.


Ao longo dos episódios fomos ficando presos àquela pequena cidade, cheia de orgulho e resistente. Presos às histórias reais, às derrotas sentidas e às vitórias celebradas como se fossem de todos. A certa altura, já não víamos a série como entretenimento, víamo-la como um convite.


No início de 2025 tentámos fazer esta escapadela, mas não aconteceu. Ficou em stand by, guardada naquela gaveta mental onde ficam os planos que sabemos que ainda vão acontecer.

Meses depois, no final de novembro, tudo encaixou. Data, ritmo e vontade. E aí percebemos que Wrexham nunca foi apenas um destino; era o momento.


Novembro revelou-se perfeito: frio no ar, jogo do Wrexham em casa, mercados de Natal a ganhar vida e aquela atmosfera íntima, quase silenciosa, que tanto nos atrai.



A Partida


Partimos de Lisboa no dia 27 de novembro, a meio da tarde.

Mochilas leves, expectativas altas e aquele entusiasmo calmo de quem sabe que vem aí algo especial. Voámos até Manchester com a Ryanair, apenas com uma mala pequena cada um, por 43€ ida e volta por pessoa. O voo foi tranquilo. Daqueles que nos permitem olhar pela janela, desligar do quotidiano e começar a entrar no ritmo da viagem.


À chegada, fomos diretamente para a rent-a-car escolhida para "levantar" o carro que alugámos.



Wrexham não tem aeroporto e chegar lá implica sempre uma segunda etapa — Manchester ou Liverpool primeiro, depois comboio, autocarro ou estrada.


Nós optámos pelo carro. Éramos seis pessoas e queríamos alguma liberdade. Liberdade para escolher um alojamento mais afastado do centro da cidade. Liberdade para decidir o momento em que íamos e voltávamos. Liberdade para parar quando nos apetecesse e quando fosse preciso.


Mas atenção, conduzir à esquerda não é tão simples quanto possa parecer. Exige atenção constante, principalmente em estradas muito pouco iluminadas. Ainda assim, fez parte. E rapidamente se transformou em mais uma memória partilhada (com boas gargalhadas).


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Wrexham (27 a 30 de novembro): viver o lugar


Chegar e sentir


Chegámos a Wrexham já de noite, pelas 21h. Optámos por alugar uma casa completa, uma cottage tão tipicamente britânica, através do Airbnb. A casa ficava a poucos minutos (~8m) do centro de Wrexham, no meio de uma propriedade enorme, bonita, rústica, com cavalos e árvores de fruto, mas confortável e bastante acolhedora — daquelas casas que nos fazem respirar fundo assim que entramos.


À nossa espera estava o Lawrence, o nosso anfitrião. Esperou por nós com um kit de boas-vindas que faz toda a diferença (vinho, cerveja, leite, cookies, pão e manteiga :)) e nos faz imediatamente sentir em casa. Mostrou-nos a propriedade com calma, explicou tudo e deixou-nos completamente à vontade. Pequenos gestos que fazem sentir que não somos apenas hóspedes.



Foram três noites, três casais, e o custo foi de 729€ no total — aproximadamente 81€ por noite, por casal. Mais do que o preço, ficou a sensação de termos escolhido (muito) bem.


A cidade que vive o clube


Em Wrexham, o futebol não é um evento. É um fio condutor.

E nós tentámos vivê-lo ao máximo. Entrámos em cafés onde toda a gente comenta o último jogo como quem fala da família. Vimos lojas cheias de referências ao clube. Cruzámo-nos com pessoas que puxam conversa, que perguntam de onde vimos e o porquê de os estarmos a visitar, pessoas que se interessam genuinamente.



Ali, o futebol é o ponto de encontro. O que realmente une as pessoas é a comunidade. E isso sente-se. Não é encenado. Não é turístico. É vivido.


Racecourse Ground... mais do que um estádio


Visitámos o estádio do Wrexham AFC, o famoso Racecourse Ground, o estádio internacional mais antigo do mundo ainda em uso. Passeámos pela envolvente como se estivéssemos num dos episódios do documentário. Visitámos a loja do clube, comprámos camisolas e cachecóis, vimos os muitos murais alusivos a jogadores e treinadores, os icónicos postes de iluminação e entrámos no lendário pub The Turf, onde acabámos por almoçar logo no nosso primeiro dia em Wrexham (véspera de dia de jogo e por isso bem menos movimentado). Comemos e bebemos naquele cenário que tão bem conhecíamos da série.


Mas comprar bilhetes para o jogo do dia seguinte não foi uma tarefa fácil. Percebemos, ainda em Lisboa, que não bastava querermos bilhetes... precisavamos de os conseguir comprar. A informação que tínhamos era que seria difícil, que esgotavam rápido e que tínhamos de estar atentos ao site do clube. E assim foi.

O primeiro passo para a solução foi tornarmo-nos sócios do Wrexham AFC. A partir daí teríamos logo acesso à primeira (e única) fase de venda de bilhetes, apenas para sócios. Mas o problema é que esgotaram em poucos minutos e não conseguimos sequer vê-los, quanto mais comprá-los.


Ficámos desgostosos, mas resignados, e assumimos imediatamente que conseguiríamos ver o jogo no pub, rodeados daquelas pessoas, e que só isso já seria uma experiência muito boa.


Mas na véspera do jogo surgiu uma réstia de esperança. Quando visitávamos a loja do clube, ao lamentarmo-nos por não conseguirmos ver um jogo ao vivo, alertaram-nos para o facto de alguns bilhetes poderem ser postos à venda durante o dia. Bilhetes que, por não serem usados, seriam devolvidos ao clube. E assim foi, lá apareceram uns quantos e nós conseguimos três, mesmo à última da hora, para assistir ao Wrexham - Blackburn Rovers, mesmo na STōK Stand. Foi uma festa, como podem imaginar.



No dia do jogo, deixámos o carro estacionado um pouco mais longe do estádio, e lá fomos a pé. Devidamente "fardados" com as nossas camisolas e cachecóis. Almoçámos pelo caminho e assentámos arraiais na fan zone do The Turf, mesmo ao lado do estádio do Wrexham AFC. Falámos com locais, tirámos fotografias e sentimos aquele espaço de forma nostálgica.


E depois… o jogo.

Aquele tipo de experiência que não se descreve com precisão. Vive-se e sente-se. Já visitámos estádios de futebol em muitos lugares do mundo. Uns mais imponentes e outros menos, desde a La Bombonera, em Buenos Aires, ao Maracaná, no Rio, passando pelos míticos San Siro, Camp Nou ou Barnabéu, e em grandes eventos e finais europeias, mas o Racecourse Ground trazia um encanto especial. Pequeno, mas cheio. Cheio de cânticos. Cheio de emoção. Uma loucura. E nós vivemo-la com um sorriso rasgado.


Para além do futebol... o Natal simples de Wrexham


No dia anterior ao jogo e depois do jogo, deambulámos pela cidade, em plena época natalícia. Chocolate quente nas mãos, luzes de Natal, a roda-gigante, barraquinhas de doces e bebidas e muita animação. Mesmo no centro da zona pedonal da cidade, o monumento aos mineiros e a imponente St Giles Parish Church, a observarem tudo o que acontecia.



Wrexham, nesta altura do ano, não tenta impressionar e talvez por isso impressione tanto.

É simples, acolhedora, genuína e sem pressas. Sem excessos. Uma maravilha.


Pelo meio, uma escapadela até Liverpool


Logo no nosso segundo dia, tivemos de fazer uma pequena viagem até Liverpool. O objetivo era, e foi, ir buscar a Mariana, que chegava de Turim, para passar 2 dias connosco e matar (muiiiitas) saudades. O voo que a levaria a Manchester foi cancelado e tivemos de fazer uns ajustes, mas tudo acabou por correr bem e a chegada a Liverpool, apenas a 50m de Wrexham, estava prevista para as 8h30 da manhã. Levantámo-nos cedo para ir ver a nossa menina e lá fomos.


Mas enquanto esperávamos, aproveitámos para passear pelo centro da cidade de Liverpool, tirar fotografias junto à estátua dos Beatles e absorver a energia de uma cidade que respira música e história. Foi pouco tempo, mas o suficiente para pensarmos que provavelmente aquele poderia ser uma das próximas escapadelas.

Foi um parêntese perfeito dentro da nossa viagem.




Manchester e os mercados de Natal (30 de novembro a 2 de dezembro)


No dia 30, domingo, deixámos Wrexham para trás e seguimos para Manchester. Ainda fizemos 2 paragens antes, a primeira no Pontcysyllte Aqueduct, um must see, lindíssimo mesmo, e a segunda, no aeroporto de Manchester, para deixar a Mariana e o carro alugado.



No aeroporto de Machester apanhamos o comboio diretamente para o centro da cidade. É um processo muito fácil, mas atenção, comparem os valores com o Uber porque dependendo da hora e do número de pessoas, pode (e provavelmente vai) compensar mais o Uber,


Chegámos a Piccadilly, onde acabámos por almoçar ainda antes de fazermos check-in no hotel. A nossa escolha recaiu no Motel One Royal Exchange, bem central, confortável e ideal como ponto de partida para explorar a cidade a pé.




Manchester em dezembro tem um ritmo próprio


Em Manchester deliciámo-nos com os muitos mercados de Natal. Começámos pelo de Piccadilly Gardens, logo no dia em que chegámos, à noitinha. Fomos ao da Albert Square, ao da Exchange Square, etc.. Caminhámos entre luzes, bancas de comida, música e aquele frio que torna tudo mais intenso. Pelo meio, aproveitamos para conhecer alguns dos pontos mais interessantes, na nossa ótica, claro, da cidade. A roda-gigante de Albert Square, a Art Gallery, a biblioteca pública, a catedral, Chinatown... há tanto para viver em Manchester.



Nos intervalos dos mercados, fomos parando e experimentando alguns pubs mais típicos e deixámo-nos levar pelo movimento da cidade.

Dos que visitámos, deixamos aqui duas sugestões:

  • The Piccadilly Tavern

  • Sinclair’s Oyster Bar


Old Trafford: mesmo para quem não é adepto


Antes de partir, não podíamos deixar de passar por Old Trafford, o Teatro dos Sonhos, a casa do Manchester United. Visitámos a loja, o Red Café e sentimos o peso da história. Mesmo para quem não é adepto, há lugares que impõem respeito.



Algumas dicas práticas


  • Voos: A Ryanair e a Easyjet têm voos baratos para Manchester, seja a partir de Lisboa, seja do Porto.

  • Aluguer de carro: Nós usámos a DiscoverCars.com. Usem o nosso link para terem desconto.

  • Alojamento: Para o alojamento usámos o Airbnb em Wrexham e o Booking em Manchester, e ambos funcionaram muito bem.

  • Bilhetes para jogos: Se queres mesmo ir, torna-te sócio do Wrexham AFC e fica atento às datas de lançamento dos bilhetes.

  • Visto: O UK ETA é obrigatório para cidadãos portugueses. É instantâneo e custa 16£.

  • Roaming: Sem custos adicionais para cidadãos da UE.

  • Moeda: É a libra, e pagar com cartão ou telemóvel é o mais prático.



Conclusão


Esta viagem voltou a lembrar-nos de algo essencial para nós: viajar não é cumprir uma lista de pontos, mas sim criar ligações com pessoas e locais.

Wrexham ensinou-nos muito sobre a comunidade, a pertença e o poder do desporto enquanto linguagem universal. Manchester fechou a viagem com energia, luz e espírito natalício muito próprio.


Voltámos com histórias, com memórias e com aquela certeza serena de que, muitas vezes, são os destinos improváveis que ficam mais tempo connosco.



Até à próxima aventura!


(No link abaixo encontram o google maps de Wrexham e Manchester com as atrações que visitámos por cada dia)



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