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Do Sri Lanka às Caraíbas: A Crónica Completa da Nossa 5ª Volta ao Mundo em 39 Dias

26 de ago.
22 min de leitura

Regressar a casa depois de dar a volta completa ao planeta é um processo lento.

As malas chegam — no nosso caso, fiéis ao minimalismo de viajar apenas com bagagem de cabine —, a roupa vai finalmente para lavar, os objetos regressam aos seus lugares e a rotina começa devagarinho a instalar-se.


A cabeça é que demora mais.

Continua algures entre uma praia do Sri Lanka, uma rua cheia de lanternas em Hoi An, um templo no Japão, um pôr do sol em Vancouver, um mercado mexicano e uma scooter em Curaçao.


Esta foi a nossa 5.ª Volta ao Mundo.


Foram 39 dias, vários países, muitos fusos horários, dezenas de horas dentro de aviões, alguns voos noturnos em que dormir foi mais uma intenção do que uma realidade, comboios, metros, carrinhas, bicicletas, scooters, barcos e muitos, muitos quilómetros feitos a pé.

E foi, sobretudo, uma viagem muito diferente dentro da própria viagem.


Começámos cinco.

No Vietname chegaram os nossos filhos e o namorado da Mariana e passámos a ser oito.

Mais tarde, no Japão, voltamos a crescer com amigos que se juntaram a nós durante parte do percurso.

E há qualquer coisa muito especial em olhar para os nossos filhos já adultos e perceber que continuam a querer atravessar o mundo connosco.

Talvez seja esse um dos maiores privilégios de todos.

Mas comecemos pelo princípio.


O Nosso Itinerário


Lisboa ➔ Sri Lanka (roadtrip entre Colombo, Sigiriya, Arugam Bay, Yala, Galle e Colombo) ➔ Singapura ➔ Vietname (Hoi An) ➔ Japão (de comboio entre Osaka, Nara, Koyasan, Kanazawa e Tóquio) ➔ Canadá (Vancouver) ➔ México (Cidade do México) ➔ Curaçao ➔ Lisboa


Como já é nossa prática, viajámos apenas com bagagem de cabine, um pequeno trolley por pessoa, garantindo que não ultrapassava (quase) nunca os 7kg.

Por outro lado, este ano decidimos fazer a viagem toda apenas com um eSim, um Plano Global da Holafly, que se portou muito bem nos destinos todos, menos em Curaçao, porque não estava abrangido. Foi muito prático e deixámos de ter de contratar localmente os sim cards cada vez que aterravamos num país novo. Não só foi prático, como tinha dados ilimitados. Um descanso.


Capítulo 1: Sri Lanka — A primeira grande surpresa



Saímos de Lisboa com os trolleys prontos, o entusiasmo no máximo e uma escala grande em Londres que até já tinha programa: aproveitar as horas para ir a Windsor. Mas não fomos. Uma greve dos controladores aéreos franceses atrasou o voo e deixou-nos em Heathrow.


Podíamos começar a viagem irritados porque os planos tinham mudado, mas preferimos almoçar, passear, tratar das últimas coisas e aceitar aquilo que uma volta ao mundo nos relembra constantemente: há muita coisa que não controlamos.

E foi bom na mesma.


Horas depois, aterrávamos em Colombo. O Sri Lanka estava há muito tempo na nossa lista e chegámos com expectativas altas. Mesmo assim, conseguiu superá-las.


À nossa espera estava o Gayan, o motorista e guia que nos acompanharia durante todo o percurso pelo país e que rapidamente se tornou muito mais do que isso.

Foi ele quem nos conduziu pelas estradas caóticas do Sri Lanka, muitas vezes ultrapassando em espaços onde jurávamos que não cabia um carro — mas cabia 😁 —, quem nos explicou o que íamos vendo, quem sugeriu paragens, comprou doces para provarmos, antecipou aquilo de que podíamos precisar e cuidou de nós durante aqueles dias.


"Só não ultrapassamos em traço contínuo. Assim que fica descontínuo, ultrapassamos e os carros em sentido contrário é que têm de se desviar para a berma. Assim, conseguimos todos ultrapassar.", explicou-nos o Gayan perante o contrairmos todo o nosso corpo sempre que ele ultrapassava um carro vindo outro em sentido contrário.

Sigiriya: estamos mesmo no Sri Lanka



Seguimos diretamente para Sigiriya. A viagem desde Colombo ainda foi longa, com bastante trânsito, e chegámos ao hotel já de noite.

Pouco depois de nos instalarmos, ouvimos um estrondo enorme. Parecia um tiro. E era. Ficámos todos a olhar uns para os outros até percebermos a explicação. Elephants.

Era a forma usada para afugentar os elefantes que se aproximavam durante a noite.

À entrada do hotel havia ainda um aviso bastante esclarecedor: “Don't go outside. Night time.”, com um elefante desenhado.


Foi aí que sentimos verdadeiramente: estamos no Sri Lanka.

Na manhã seguinte, o despertador tocou muito cedo. Às 6h já estávamos a subir a Lion Rock, em Sigiriya.

São cerca de 1.200 degraus e, curiosamente, achámos a subida muito mais fácil do que imaginávamos. Talvez porque ainda tínhamos na memória o Tiger Cave Temple, na Tailândia, onde, esses sim, nos pareceram os degraus da morte. 😁


Na Lion Rock são muitos, mas fazem-se bem, existem zonas onde parar e a recompensa lá em cima é enorme: selva, lagos, montanhas e uma vista impressionante sobre toda a região.


Nesse mesmo dia seguimos até ao Dambulla Cave Temple, cinco cavernas cheias de estátuas de Buda, pinturas nos tetos e paredes e uma atmosfera completamente diferente.


De templo passámos para um dos sítios mais caóticos e interessantes daquele dia: o Centro Económico de Dambulla, um enorme mercado grossista de frutas e legumes.

Camiões, caixas, sacos gigantes, homens a carregar produtos, cores, cheiros e movimento por todo o lado.

Adorámos.


E ainda conseguimos encaixar uma massagem ayurvédica de corpo inteiro que nos soube pela vida.



Terminámos o dia na Mapagala Fortress, uma sugestão dos nossos anfitriões para ver o pôr do sol.

A subida é menos preparada e exige alguma destreza, mas ficar ali em cima a ver o sol desaparecer, com a Lion Rock à nossa frente, foi um dos primeiros momentos que ficaram guardados. E ainda só íamos no terceiro dia.


Arugam Bay: chinelos, praia e elefantes


De Sigiriya seguimos até Arugam Bay.

Foram várias horas de estrada, mas no Sri Lanka a estrada faz parte da viagem. Íamos vendo plantações de arroz, colheitas, arroz e pimenta a secarem no próprio alcatrão, templos e peregrinos hindus vestidos de laranja a caminhar pelo país. A paisagem mudava e nós íamos percebendo um pouco mais daquele Sri Lanka que não existe apenas nos pontos turísticos.



Arugam Bay trouxe outro ritmo.

Praia, chinelos, mergulhos, pequenos bares, bancas de fruta, vacas a passear tranquilamente entre as pessoas, cães que nos adotavam durante umas horas e muito peixe grelhado.

Algumas refeições foram simplesmente... fruta. E souberam lindamente.


Fomos até à Elephant Rock de tuk tuk para ver o pôr do sol e, no regresso, aconteceu uma das melhores surpresas da viagem. Uma família de elefantes selvagens estava num arrozal. Parámos. Aproximámo-nos da vedação e ficámos ali a observar. Até que eles começaram a andar mais depressa na nossa direção.

E foi ver toda a gente entrar rapidamente nos tuk tuks e arrancar.

Estar em pleno habitat natural destes animais maravilhosos foi inesquecível.


Yala, Koggala e Galle


Seguimos depois até Yala, onde fizemos um safari no Yala National Park. Claro que íamos com a esperança de ver o famoso leopardo, mas não vimos. Também não vimos ursos, e sim, ficámos com pena.

Mas a natureza não funciona por encomenda.



Vimos elefantes, búfalos, crocodilos, veados, pássaros, uma raposa, iguanas, uma lebre, um mangusto e muitos outros animais. No final estávamos cansados, cobertos de pó e ainda tivemos direito a um lagarto à nossa espera no quarto.

Sri Lanka a ser Sri Lanka.


No último dia seguimos para Koggala, para ver os famosos pescadores nas estacas. Hoje sabemos que é sobretudo uma recriação turística da forma tradicional de pescar. Eles colocam-se nas estacas para as fotografias e recebem por isso. Mas saber isso não torna o cenário menos bonito.


Terminámos em Galle, com as muralhas, ruas coloniais e edifícios que contam a passagem de portugueses, holandeses e britânicos por esta zona do país.


E depois chegou a parte difícil. Despedirmo-nos do Gayan.

Trocámos lembranças. De nós ficou uma camisola da seleção portuguesa. Dele recebemos ímans e uns pequenos elefantes para pendurarmos nas mochilas.

Normalmente oferece aos clientes um quadro com fotografias, mas percebeu que iríamos continuar, durante semanas, a viajar apenas com bagagem de cabine e procurou uma alternativa mais prática.

É um pequeno detalhe. Mas é precisamente esse tipo de detalhe que explica porque gostámos tanto dele.


E talvez explique também aquilo que mais nos marcou no Sri Lanka.

É lindíssimo. Tem natureza, praias, templos, animais e paisagens incríveis. Mas o grande destaque, para nós, foram as pessoas. Saímos de lá com uma certeza: o Sri Lanka foi uma das melhores surpresas desta Volta ao Mundo.



Capítulo 2: Singapura — Voltar 13 anos depois



Depois do Sri Lanka veio Singapura. E poucas transições poderiam ser mais contrastantes.


De estradas, natureza e algum caos passámos para uma cidade extremamente organizada, moderna, limpa e onde parece que tudo foi pensado ao milímetro.

Chegámos depois de mais um voo noturno e cedo demais para fazer check-in. Outra tradição nestas viagem.

Deixámos as malas no hotel e fomos para a rua.


Ficámos no distrito financeiro e começámos a explorar a cidade a pé: Fort Canning Park, St Andrew's Cathedral, Boat Quay, Clarke Quay e as margens do rio. Ao longe, o Marina Bay Sands aparece quase constantemente a lembrar-nos onde estamos.


Nos dias seguintes fomos perceber melhor aquilo de que mais gostamos em Singapura: várias culturas completamente diferentes a coexistirem numa área relativamente pequena.


Little India, Chinatown e Gardens by the Bay


Começámos por Little India.

Cor, mercados, fruta, flores, tecidos, objetos religiosos, lojas e templos.

Apanhámos uma daquelas chuvadas tropicais repentinas e aproveitámos para entrar no Indian Heritage Centre, onde uma visita guiada nos ajudou a perceber muito melhor a história da comunidade indiana em Singapura.


Seguimos depois para Chinatown.

Almoçámos num hawker centre, passeámos pelas ruas e entrámos no Buddha Tooth Relic Temple precisamente quando decorria uma cerimónia. Havia cânticos, oferendas e devotos a acompanhar os textos.


Pelo caminho provámos jaca pela primeira vez. Não foi propriamente amor à primeira vista...nem à segunda. Mas foi mais uma experiência!


Ao final do dia chegou uma das imagens mais conhecidas de Singapura: os Gardens by the Bay.

Subimos às Supertrees, fizemos o OCBC Skyway e ficámos para o espetáculo de luz e som.

E, como se isso não chegasse, ainda assistimos ao Borealis, uma instalação que recria uma aurora boreal através de luz e fumo.


Singapura gosta pouco de fazer coisas discretas.


Sentosa, 13 anos depois


Havia também uma razão sentimental para voltarmos a Sentosa. Tínhamos estado aqui em 2013, durante a nossa primeira Volta ao Mundo. Treze anos depois regressámos.


Fomos de metro até ao VivoCity e, dali, decidimos fazer o resto a pé. São cerca de dois quilómetros até à praia. Isto se não se enganarem no caminho. Nós enganámo-nos... algumas vezes. 🤣


Sentosa mudou imenso. Cresceu, ganhou novas atrações, novos edifícios, experiências e estruturas por todo o lado. Passeámos, parámos, almoçámos junto ao mar, fomos muitas vezes à água e tentámos sobreviver aos 33 graus e 87% de humidade.

Regressámos novamente a pé.

E nessa noite houve outro clássico de uma Volta ao Mundo que raramente aparece nas fotografias bonitas: lavar roupa, secar roupa, reorganizar malas e voltar a conseguir meter tudo dentro dos trolleys.


No dia seguinte voámos até Da Nang.

E aconteceu uma das coisas que mais desejávamos nesta viagem.



Capítulo 3: Vietname — De cinco passámos a oito



Os nossos filhos e o namorado da Mariana chegaram, e de cinco passámos a oito.

Pode parecer uma pequena coisa dentro de uma viagem enorme.

Para nós não é. Os nossos filhos cresceram. Têm as suas vidas, os seus amigos e os seus planos.


Por isso, perceber que continuam a gostar de viajar e, sobretudo, que continuam a querer viajar connosco, é uma das coisas que mais felicidade nos dá. Abraços dados, grupo reunido, seguimos em frente.


E Hoi An decidiu receber-nos com outra experiência inesquecível: humidade num nível que nem Singapura nos tinha preparado para enfrentar. Mas bastaram poucas horas para percebermos que íamos gostar muito daquela cidade.


Lanternas, ruas amarelas e caos manso


Hoi An foi conquistando-nos aos poucos. Casas amarelas, varandas de madeira, templos, alfaiatarias, mercados, bicicletas, cafés lindos, pequenas lojas, fruta tropical e lanternas. Lanternas em todo o lado.


Tivemos a enorme sorte de chegar durante o Festival das Lanternas.

À noite, a cidade muda completamente.

As lanternas acendem-se, o rio enche-se de barcos iluminados e comprámos também as nossas pequenas lanternas para lançar à água. Cada um com o seu desejo.


No dia seguinte fizemos aquilo que mais gostamos de fazer nas cidades: deambular. Sem uma lista rígida.

Andar, entrar, sair, parar, voltar atrás, comer qualquer coisa, ver uma loja, atravessar uma ponte e deixar a cidade revelar-se.

Passámos pela Ponte Japonesa, percorremos as margens do rio Thu Bon, entrámos em mercados, cafés e templos e fomos percebendo porque é que Hoi An nos estava a conquistar. Há cidades que impressionam imediatamente. Hoi An seduz mais devagar, com calma, mas de uma forma incrícel.


Cooking class, basket boats e bicicletas


O dia começou num mercado local. Fomos conhecer os ingredientes que depois usaríamos numa aula de cozinha: ervas, legumes, especiarias, arroz, folhas e muitos produtos que nem sempre conseguíamos identificar.



Seguimos depois para os famosos basket boats, os barcos-cesto redondos desta região.

Tínhamos visto vídeos de experiências super turísticas e caóticas e fomos com algum receio.

Sim, é turístico. Sim, é comercial. Mas divertimo-nos tanto, mas tanto, que achamos por bem reforçar que vale muito a pena.


Depois veio a aula na Hoi An Cooking School.

Muito bem organizada, com cada um a preparar os pratos e todos a sentarem-se no final para comer o resultado. Recomendamos muito.


Mas o dia estava longe de acabar.

Trocámos os aventais pelos fatos de banho, alugámos bicicletas no hotel e seguimos até à praia, que estava a 20 minutos de bicicleta. Foi uma das melhores formas de ver outro lado de Hoi An: bicicletas, scooters, buzinas, arrozais, palmeiras e búfalos de água.

Houve inclusive quem decidisse montar um búfalo. Depois, praia, mergulhos e regresso de bicicleta pelo trânsito vietnamita. O segredo? Andar. Em frente. E confiar que quem vem atrás se desvia (e não é que se desvia mesmo?!).


Ba Na Hills: incrível e caótico


Um dos momentos que mais expetativa tínhamos. A visita à famosa ponte com as mãos de pedra gigantes. As Ba Na Hills.

A subida de teleférico é impressionante e a Golden Bridge, segura pelas tais enormes mãos de pedra, é realmente tão fotogénica ao vivo quanto nas fotografias.


Mas a experiência não foi incrível. Foi até uma das experiências mais ambivalentes da viagem. Havia demasiada gente. Muita. Muita mesmo.

Filas, confusão, pouco espaço pessoal e um buffet de almoço que conseguiu transportar o caos também para a comida.

Encontrámos salvação no Soul Café, onde conseguimos finalmente parar e respirar.


Vale a pena ir às Ba Na Hills? Para nós, sim.

Mas não voltaríamos a fazê-lo da mesma forma. Evitaríamos uma tour organizada e tentaríamos, sem dúvida, garantir acesso prioritário. O número de pessoas é o mesmo, mas o ritmo é o nosso, o restaurante é escolhido por nós e, no final do dia, isso muda tudo.


No nosso último dia fizemos um workshop de lanternas.

Escolhemos tecidos e cores, montámos e colámos as nossas próprias lanternas e conseguimos levar para casa um bocadinho daquela cidade.


Hoi An foi cor, comida, calor, bicicletas, mercados, arrozais, artesanato e lanternas.

Foi também onde a nossa família se voltou a reunir do outro lado do mundo. E isso tornou-a ainda mais especial.



Capítulo 4: Japão — Desta vez, outro Japão



Do Vietname, seguimos para o destino onde passaríamos mais tempo: o Japão.

A viagem começou de forma pouco gloriosa. Fomos de Hoi An até Da Nang, com uma escala de ~4 horas em Hanói, onde nos esperava um voo de madrugada, à 1h40, para Osaka. Pouquíssimo tempo de sono e, no caso da Rita, ainda um princípio de intoxicação alimentar. Aterrou em Osaka sem ter dormido praticamente nada e completamente de rastos.


Os miúdos? Esses seguiram diretamente para os estúdios da Universal em Osaka. Juventude.

À nossa espera estavam mais 2 amigos que se juntaram a nós neste trecho da viagem... e assim, de repente, passámos a ser 10.


Osaka e Nara



Osaka foi intensa desde o primeiro momento.

Dotonbori, Shinsekai, a Tsūtenkaku Tower, restaurantes, néons, lojas, música e comida por todo o lado. E o nosso primeiro dia foi isso mesmo, um choque enorme de luz e cor.


No segundo dia fizemos uma curta viagem até Nara.

A cidade tem templos e arte que remetem ao século VIII, quando era a capital do Japão, mas o que impressiona e atrai milhares de turistas todos os dias, são os veados que passeiam e interagem com as pessoas no parque de Nara,

E conquistaram-nos imediatamente. Logo no início do parque vimos um senhor japonês a dar-lhes as famosas bolachas, a fazer uma vénia e a receber outra de volta.

Percebendo o encantamento da Rita, deu-lhe algumas bolachas e explicou-lhe o ritual.

Levanta-se a bolacha.

Eles fazem a vénia.

Quando acabam as bolachas, mostram-se as mãos vazias.

E depois repetimos isto aproximadamente 747 vezes porque há veados por todo o lado.

Vimos veados a descansar junto às lojas, a atravessar estradas pela passadeira e até a tentar abrir portas com o focinho (conseguindo). Um encanto.


Visitámos o Tōdai-ji, com o enorme Buda, antes de regressarmos a Osaka.


Nesse dia ainda conseguimos fazer óculos para todos, em cerca de 30 minutos, no Namba Walk, subir à roda gigante do Don Quijote e terminar numa missão de compras de skincare no meio dos corredores caóticos desta famosa loja. Coisas muito japonesas.


No último dia em Osaka visitámos o Osaka Castle, passeámos por Nakazakicho, um bairro mais retro, criativo e tranquilo, e terminámos no Umeda Sky Building. Que vista!


Osaka é uma cidade com muitas camadas. Quanto mais procuramos, mais nos aparecem.


Koyasan — provavelmente uma das experiências mais diferentes da viagem



Um dos momentos mais esperados foi a ida a Koyasan. Só chegar lá já fazia parte da aventura.

Comboio, troca em Hashimoto, novo comboio até Gokurakubashi, funicular e finalmente autocarro. E chegámos todos. O que, tendo em conta o tamanho do grupo nesta fase, já era um pequeno triunfo logístico.


Ficámos alojados num templo budista, um shukubu, no nosso caso, o Kongo Sanmai-in.

Madeira, jardim, árvores enormes, silêncio. Outra velocidade.


Fizemos os típicos banhos partilhados do templo e jantámos shojin ryori, a cozinha vegetariana dos monges.

Muito diferente daquilo a que estamos habituados. E admitimos que, em alguns momentos, uma pequena legenda com “o que é isto?” e “como é suposto comer?” teria ajudado.


À noite fomos até Okunoin. Um enorme cemitério atravessado por um caminho entre cedros altíssimos, milhares de túmulos, lanternas de pedra, estátuas e oferendas.

Não é assustador.

É silencioso. Profundo. Quase fora do tempo.


Na manhã seguinte, às 6h30, assistimos à cerimónia budista. Durante cerca de 45 minutos ouvimos três monges entoarem as suas orações. Não era permitido fotografar ou filmar. E ainda bem.

Há momentos que talvez devam ficar simplesmente na memória.

Participámos ainda em pequenos rituais, entregámos as madeirinhas onde tínhamos escrito os nossos pedidos e recebemos uma pulseira de proteção.


Koyasan foi uma das experiências mais diferentes de toda esta Volta ao Mundo. Mais lenta. Mais espiritual.

E talvez precisamente por isso tenha ficado tão marcada.


Kanazawa — a surpresa japonesa


A próxima paragem era Kanazawa. Fizemos o caminho de volta até Osaka e depois seguimos então (mais ~3 horas) até Kanazawa, onde ficámos 3 noites.

E adorámos.



Logo à chegada, na estação, deparámo-nos com o imponente Tsuzumi-mon Gate, e logo após fazermos o checkin no hotel, fomos jantar ao Omicho Market, o "coração gastronómico" de Kanazawa há mais de 300 anos.


No dia seguinte, começámos pelo Castelo de Kanazawa e pelas técnicas tradicionais de construção em madeira. Depois fomos conhecer os bairros históricos de casas de chá, Kazuemachi Chaya e Higashi Chaya.


Mas houve outra coisa que acabou por ficar muito associada à cidade: fomos assistir a um jogo de baseball de uma equipa local, os Ishikawa Million Stars. Sabíamos que era um "desporto grande" no Japão e queríamos participar. Só chegar ao estádio já foi uma aventura. Não percebemos como sair do comboio na paragem certa. Toda a gente queria ajudar. Mas não conseguimos. Toda a gente nos falava em japonês. Nós agradecíamos muito, mas perceber, percebíamos pouco, e acabámos por fazer parte do percurso a pé entre arrozais e casas comuns.

No estádio comprámos bonés, entrámos no ambiente e ainda nos ofereceram duas bolas.


No dia seguinte fomos ao bairro dos samurais, Nagamachi.

Visitámos uma antiga casa, apresentada pela própria bisneta da família, que nos explicou a história, os objetos e o pequeno jardim onde praticamente nada estava colocado ao acaso.

Também entrámos numa antiga farmácia tradicional com centenas de anos de história.

Kanazawa foi precisamente o Japão que queríamos encontrar nesta viagem: menos óbvio, mais tranquilo e cheio de pequenos detalhes.


Tóquio — chuva, rituais e karts



Terminámos a nossa passagem pelo Japão em Tóquio.

A cidade recebeu-nos com chuva torrencial. Deixámos rapidamente os trolleys no hotel e seguimos para o Sensō-ji, em Asakusa. Fizemos omikuji, aquelas sortes dos templos, e à Rita saiu "bad fortune". Mas até isso tem solução no Japão: prende-se o papel no local indicado e continua-se a vida.


Subimos à Tokyo Skytree, passámos pelo piso de vidro e continuámos a coleção de carimbos para o diário gráfico do Gonçalo — uma missão que entretanto já envolvia toda a família.


No dia seguinte cumprimos uma coisa que tinha ficado por fazer na nossa última visita a esta cidade: andar de kart pelas ruas de Tóquio, em pleno trânsito.

É turístico? Muito. É um bocadinho absurdo? Também.

Foi divertido? Demais. Vestidos de personagens de séries de animação, acenamos, fomos fotografados, filmados e vimos uma parte da cidade de forma diferente, Que experiência fantástica.



Seguimos depois para a famosa passadeira de Shibuya e, claro, subimos ao Starbucks, como já é tradição para nós, para ficar simplesmente a observar aquele caos perfeitamente organizado lá em baixo enquanto bebíamos um café.

Hachikō, Miyashita Park, Harajuku, Takeshita Street, Meiji Jingu, Shinjuku, o gato 3D, Godzilla, néons, écrans e pessoas por todo o lado. Tóquio despediu-se exatamente como Tóquio sabe fazer. Em grande.


E depois aconteceu algo que continua a ser estranho mesmo quando sabemos perfeitamente a explicação.

Saímos de Tóquio às 14h do dia 28.

Voámos até Seul. Fizemos uma escala de duas horas. Voámos mais 9h30 até Vancouver.

E aterrámos às 12h50… do mesmo dia 28.

Tínhamos acabado de andar para trás no tempo. Adoramos!



Capítulo 5: Canadá — Viagem no Tempo até Vancouver



Chegámos ao Canadá antes da hora a que, no relógio local, tínhamos “saído” do Japão.

Uma pequena máquina do tempo proporcionada pela Linha Internacional de Data, mas o corpo, esse, sabia perfeitamente que tinham passado muitas horas.


Fizemos check-in no nosso hotel e saímos para ver o bairro de English Bay.

Foi uma excelente primeira imagem de Vancouver: praia, montanhas, troncos na areia, bicicletas, pessoas a correr, a ler, a conversar e a aproveitar a rua.

Visitámos as esculturas A-maze-ing Laughter, vimos o Inukshuk e caminhámos até Sunset Beach.

Mas aquilo que mais nos chamou a atenção não foi propriamente um monumento específico. Foi a forma como Vancouver vive o final do dia. À medida que o pôr do sol se aproximava, as pessoas começavam a escolher um lugar. Sentavam-se nos troncos, na areia, na relva.

E olhavam.

Nós... fizemos o mesmo.


Cidade e natureza permanentemente misturadas


No dia seguinte percorremos a zona de Coal Harbour, Canada Place e parte do Seawall.

Vancouver tem uma combinação muito própria: prédios de vidro, montanhas, água, árvores, terraços cheios de verde e hidroaviões a levantar e amarar a poucos metros da cidade.

Subimos ao Vancouver Lookout, seguimos para Gastown e esperámos pelo clássico momento do Steam Clock.


Depois, Chinatown, Robson Street e novamente o pôr do sol em English Bay. Que dia cheio.


No dia seguinte fomos ao Capilano Suspension Bridge Park.

É um parque famoso pela sua ponte suspensa, a ponte Capilano, que cruza o rio Capilano. Tem atualmente 140 metros de comprimento e 70 metros acima do rio.

A ponte abana? Bastante.

Mas o parque é lindíssimo e vale muito a pena pela floresta, pelas estruturas suspensas e pelas passagens entre árvores. Três ou quatro horas são suficientes para percorrerem o parque e sentirem aquela natureza imensa.



De volta à cidade, almoçámos e apanhámos o ferry até Granville Island.

Andámos pelo Public Market sem pressa, entre bancas, lojas, comida, artistas e aquele ambiente que nós adoramos.

E terminámos o dia novamente junto ao mar, com pernas de caranguejo e fish and chips.



Para o último dia em Vancouver, tínhamos planeado uma experiência: dar a volta ao Stanley Park de bicicleta. Tínhamos transfer para o aeroporto às 13h, e por isso não havia muito tempo.

Foram 11 quilómetros em pouco mais de uma hora, praticamente sem paragens.

Gostávamos de ter tido mais tempo? Sim, mas é mesmo assim. O Stanley Park Seawall é daqueles percursos para fazer devagar, entre floresta, skyline, água e montanhas. Mas havia um avião para apanhar.


Próximo destino: México.



Capítulo 6: Cidade do México — História, gastronomia... e outra surpresa!



Confessamos: chegámos à Cidade do México com algumas ideias pré-concebidas.

E é precisamente por coisas destas que gostamos tanto de viajar.

Porque a realidade obriga-nos constantemente a rever aquilo que achávamos que sabíamos.

O México surpreendeu-nos desde o primeiro dia.

E uma das maiores surpresas foi, outra vez, as pessoas. Doces, simpáticas, cordiais e pouco invasivas.

Podíamos parar, olhar, entrar num mercado ou observar uma banca sem alguém insistir constantemente para comprarmos.

Parece uma pequena coisa. Faz uma diferença enorme na forma como vivemos uma cidade.


Coyoacán, Frida e Lucha Libre


Começámos a nossa aventura mexicana pela Casa Azul, no bairro de Coyoacán, onde viveu Frida Kahlo.

Não é apenas um museu com obras penduradas. Era a casa dela.

Os objetos, as cores, os espaços e muitos detalhes ajudam a perceber melhor a pessoa por trás da artista.

Vale muito a pena.



Seguimos depois para o coração do bairro, o Jardim Hidalgo. Cheio de pessoas, bancas, comércio, famílias e música. E sem qualquer plano, acabámos a assistir a uma representação amadora de Romeu e Julieta em versão cómica. Rimo-nos imenso.


Almoçámo no Mercado de Coyoacán, como nos tinham recomendado, e comemos alguns dos melhores tacos da viagem. Simples, cheios de sabor e no meio daquela energia de mercado que gostamos tanto de viver.


Ainda passámos pelo mercado de artesanato antes de terminar o dia com uma experiência que talvez não estivesse propriamente no topo da lista da Rita: Lucha Libre na Arena Coliseo.

Máscaras. Gritos. Saltos. Acrobacias. Drama. Teatro.

Uma plateia completamente envolvida. É difícil explicar. Só vivendo mesmo.

E ainda bem que fomos.

Terminámos o dia a beber margaritas, cervejas e a comer nachos.


Primeiro dia aprovado.


O coração histórico da cidade


O dia seguinte estava dedicado ao centro histórico da Cidade do México. Começámos no Zócalo.

Catedral Metropolitana, Templo Mayor, Palácio Nacional e séculos de história concentrados à volta de uma praça gigantesca.

Seguimos a pé pela Avenida Francisco Madero. Gente, música, vendedores, lojas, edifícios históricos, igrejas e movimento constante.

Almoçámos no Salón Corona, o original, uma cantina tradicional e cheia de ambiente local. Entrámos no Templo de São Francisco e na bonita Casa dos Azulejos, vimos o Palácio de Belas Artes e passeámos pela Alameda Central.

Ao fim da tarde, ainda fomos à Basílica de Santa Maria de Guadalupe. Visitámos a antiga e a nova basílica e percebemos melhor a dimensão da devoção à Virgem de Guadalupe. Mesmo num dia normal, havia famílias, peregrinos, silêncio, fé e emoção.



Foi uma forma completamente diferente de terminar o dia.


Um último olhar de cima


No último dia aproveitamos para umas últimas compras, passeámos mais um pouco e subimos à Torre Latinoamericana. Lá de cima percebe-se finalmente a dimensão absurda da Cidade do México.

Almoçámos com vista para o Palácio de Belas Artes e continuámos depois a fazer aquilo que tínhamos feito desde que chegámos: andar. Sem grande objetivo. Só absorver as últimas horas da cidade.

E, algures pelo caminho, a Rita ainda conseguiu encaixar uma massagem em plena rua. Porque, aparentemente, há sempre espaço para uma massagem nesta Volta ao Mundo.


O México foi intenso, colorido, barulhento, simpático e muito mais surpreendente do que imaginávamos.

Ficámos com muita vontade de regressar.


Mas desta vez já não havia muitos destinos pela frente. Faltava apenas um.



Capítulo 7: Curaçao — O mar azul e os últimos dias de paraíso



Depois de mais uma viagem noturna, com escala na Cidade do Panamá, aterrámos em Curaçao.

E, surpreendentemente, chegámos bastante bem.

Talvez tenha sido a cor. Curaçao sente-se logo.

Fachadas coloridas, luz forte, calor, mar e um ritmo muito mais lento.


Como também já parecia tradição nesta Volta ao Mundo, chegámos demasiado cedo para fazer check-in.

Deixámos as malas, almoçámos e começámos a passear.

Mais tarde fomos espreitar o pequeno acesso ao mar junto ao hotel. E claro que entrámos.

Primeiro mergulho em Curaçao feito.


À noite fomos até Pietermaai, uma das zonas mais bonitas e animadas de Willemstad, cheia de restaurantes, edifícios coloridos, luzes e música.

O último destino tinha oficialmente começado e esperavam-nos 4 noites bem diferentes.


Scooter e praias — um verdadeiro dia azul


Na manhã seguinte alugámos uma scooter na Nr. 1 Scooter Rental. Não temos qualquer comissão, mas a forma como nos ajudaram foi incrível.

A decisão de alugar scooter foi, provavelmente, a melhor decisão para explorar a ilha.

Em Curaçao é fundamental ter um meio de transporte para poderem viver a ilha na sua plenitude. Nós escolhemos a scooter por adoramos a sensação, mas o meio de transporte mais universal por lá é mesmo o carro.



Primeiro destino: Kenepa Grandi. E sim. A água é mesmo daquela cor.

Não é filtro. Não é saturação. Não é fotografia bem editada.

É azul, transparente e quase absurda.

Ficámos por lá entre mergulhos, sol e até um salto da rocha.

Seguimos depois para Kenepa Chiki, mais pequena, e fechámos a tarde na Praia Lagun, com um smoothie de papaia.


Ao fim do dia voltámos a Willemstad e atravessámos o canal, de ferry, até Otrobanda.

A forma mais prática de atravessar é a pé, pela Queen Emma's Bridge, mas infelizmente a ponte tinha entrado em manutenção 2 dias antes. Durante esse período, a travessia é feita de ferry, completamente gratuita, e igualmente bonita.


Mota, praias, calor, mergulhos e mar.

Um verdadeiro dia azul.


Flamingos, pelicanos e uma tartaruga


No dia seguinte voltámos à estrada.

Primeiro os flamingos. Visitamos uma reserva nacional, bem grande e protegida. Vimos poucos e estavam relativamente longe, mas a paragem, a caminho das praias, valeu bem a pena pela paisagem.


Depois uma série de praias: Praia Jeremi e Santa Cruz, onde ficámos pouco tempo, antes de uma paragem para almoço num mini-mercado, na beira da estrada, extremamente local e no meio do nada.



E depois lá chegámos a Daaibooi. Sem saber praticamente nada sobre a praia. Entrámos na água e para nossa surpresa, dezenas de pelicanos mergulhavam à nossa volta para se alimentar.

E depois apareceu uma tartaruga.

Linda. Tranquila. A nadar no meio de todos.

Foi uma das melhores surpresas daqueles dias.


À noite regressámos a Willemstad para a Punda Vibes, que acontece todas as quintas-feiras à noite. Lojas abertas até mais tarde, música, pessoas na rua e um enorme fogo de artifício para terminar.


Curaçao em modo festa.


Tugboat e um bocadinho de Portugal


No nosso último dia completo nesta ilha, mudámos de direção e seguimos para leste.

Primeira paragem: Director's Bay.

Bonita, muito reservada, mas não foi a nossa preferida.


Seguimos rapidamente para a Tugboat Beach, conhecida pela sua grande atração: o rebocador afundado que se tornou um dos pontos de snorkeling mais conhecidos da ilha.

E gostámos muito mais do ambiente. Música, pessoas a mergulhar, outras a pintar, outras a ler. Daqueles lugares que convidam a ficar.

Só havia um problema. O almoço resumia-se praticamente a hot dogs.



Usufruímos, mergulhámos, ouvimos música, lemos e, quando a fome apertou, metemo-nos na scooter e mudámos para a praia vizinha, Caracas Bay.

Sentámo-nos num restaurante junto à água, o Brisa do Mar, cheio de referências portuguesas. Bolo do caco. Brisa de maracujá. E o próprio nome! Um pedacinho improvável de Portugal nas Caraíbas.


Ainda terminámos a tarde junto ao mar em Punda, com leitura, música e mais um mergulho.

À noite fomos jantar ao restaurante Mundo Bizarro e caminhámos pela última vez pelas ruas coloridas de Pietermaai e Punda.


Na nossa última manhã não inventámos muito. Entregamos a scooter e depois foi fácil. Piscina. Livro. Música. Sol. Uma última volta pelas ruas. Malas. Almoço. Aeroporto.


Foi uma despedida exatamente ao ritmo que Curaçao pedia. Lenta e colorida.



39 dias depois, voltámos ao ponto de partida



O regresso foram cerca de 19 horas de viagem, com escalas em Bogotá e Madrid.

Aterrámos em Lisboa já no nosso 39.º dia. E à chegada estava uma das melhores partes de voltar para casa:

a família.


Braços abertos, caras conhecidas e aquela sensação estranha de estarmos felizes por voltar quando, poucas horas antes, também estávamos felizes por ainda estar longe. É sempre assim.


Depois chega a rotina. Desfazem-se as malas. Lava-se roupa. Voltamos ao trabalho. Os horários reaparecem.

Mas alguma coisa ficou diferente. O que nos trouxe esta 5.ª Volta ao Mundo?

Dar a volta ao mundo pela quinta vez não significa que já sabemos tudo sobre este tipo de viagem.

Muito pelo contrário. Cada viagem volta a ensinar-nos coisas.


Que viajar exige flexibilidade


Os aviões atrasam. Os planos mudam.

Há noites mal dormidas. Há cansaço.

Há dias em que alguém não está bem.

Há sítios que imaginávamos espetaculares e não nos dizem tanto assim. E outros sobre os quais quase não tínhamos expectativas e que nos deixam completamente rendidos.

Faz parte.


Que as pessoas continuam a ser o melhor de muitos destinos


É impossível pensar no Sri Lanka sem pensar no Gayan e em tantas pessoas que nos receberam com uma simpatia genuína.

No senhor japonês que ensinou à Rita como dar bolachas aos veados.

Na bisneta de uma família samurai que abriu a história da casa para nós.

Nas pessoas que tentavam ajudar-nos no comboio mesmo sem conseguirmos perceber praticamente uma palavra.

No povo mexicano, que contrariou tantas ideias que levávamos connosco.


Viajar continua a ser a melhor forma que conhecemos de perceber que o mundo é muito maior e muito mais complexo do que aquilo que vemos de casa.


Que viver com pouco é libertador


Durante 39 dias, tudo aquilo de que precisávamos estava dentro de um trolley. Lavámos roupa pelo caminho. Repetimos (e muito) outfits.

Comprámos pouco. Carregámos tudo connosco.

E sobrevivemos lindamente.


A cada Volta ao Mundo voltamos a sentir a mesma coisa: precisamos de muito menos do que pensamos.


E que viajar juntos continua a ser o maior privilégio


Talvez esta viagem tenha tido um sabor ainda mais especial por isso. Os nossos filhos já são adultos. E continuam a juntar-se a nós. Continuam a querer conhecer o mundo connosco. Continuamos a rir juntos, a perder-nos, a discutir por onde é o caminho, a esperar uns pelos outros, a comer coisas estranhas, a fazer experiências parvas e a construir histórias que sabemos que vamos contar durante anos.


Não damos isso por garantido. Tal como não damos por garantido o privilégio de poder fazer uma viagem destas.

Fazer uma Volta ao Mundo é um privilégio. Fazer cinco é enorme.

Por isso regressamos, acima de tudo, gratos. Gratos pelos 39 dias.

Pelas pessoas. Pelos encontros. Pelos sítios novos. Pelos reencontros.

Pelo que correu exatamente como planeado e pelo que saiu completamente ao lado.

Pelas milhares de fotografias que agora temos de organizar.


E também por todos os que foram acompanhando esta viagem através dos nossos Travel Logs, comentários e mensagens.

As malas já estão arrumadas. A rotina voltou. Mas a cabeça continua cheia de histórias.

E a vontade de viajar? Essa nunca chegou a ser desfeita da mala.


Até à próxima.


PS: Para quem quiser refazer os nossos passos, aqui ficam os vários mapas que usamos ao longo desta aventura.

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